Capítulo 4
Capítulo 4 – Um Dia na Vida do Professor T.
O sinal tocou, marcando o início de mais um dia no Colégio São Mateus. Tom—ou *Professor T.*, como os alunos o chamavam—caminhava pelos corredores, cumprimentando os estudantes com acenos secos e um ou outro comentário irônico que os fazia rir.
— “Santos, se você não parar de jogar aviãozinho de papel, eu vou te transformar em um.”
O garoto riu, mas guardou o papel.
Aula de Matemática: Funções e Suas Propriedades
Na sala do 3º ano, Tom escrevia no quadro com letras firmes, explicando funções exponenciais como se estivesse contando uma história de suspense.
— “Se a base for maior que um, a função cresce. Se for entre zero e um, ela decai. É como um vírus—ou se espalha ou some. E se você errar isso na prova, vocês vão decair nas minhas expectativas.”
Alguns riram nervosamente. Outros franziram a testa, tentando entender.
— “Professor, isso cai no vestibular?” perguntou uma aluna.
— “Tudo cai no vestibular, Carvalho. Até o seu lápis se você não segurar direito.”
A turma riu, e ele aproveitou o clima leve para explicar de novo, mais devagar.
Almoço dos Professores: Um Mar de Chatice
Na sala dos professores, Tom mastigava seu sanduíche enquanto ouvia, sem interesse, a conversa sobre o novo regulamento da diretoria.
— “E agora não podemos mais usar corretivo vermelho nas provas! Tem que ser azul!” resmungava o professor de Geografia.
— “Revolucionário. Vai mudar o futuro da educação,” Tom comentou, seco.
Foi então que ele notou o novato—um cara de terno justo e sorriso afetado—se aproximando da professora de História, Giovanna. Ela era quieta, inteligente, e tinha o hábito de enrolar os cabelos castanhos no dedo quando estava nervosa. E agora, com o metido a besta invadindo o espaço pessoal dela, ela parecia prestes a sumir dentro da própria blusa.
— “Giovanna, você tem que me dizer onde compra esses vestidos. Minha irmã adoraria um igual,” o cara disse, fingindo interesse.
Ela murmurou algo inaudível, recuando.
Tom não pensou duas vezes.
— “Rapaz,” ele chamou, voz baixa mas cortante. “A menos que você queira explicar pra diretora por que tá assediando colega de trabalho, sugiro voltar pro seu cantinho.”
O novato empalideceu.
— “Eu só estava—”
— “Conversando? Legal. Agora converse com o paredão lá do fundo. Ele é ótimo ouvinte.”
O cara saiu rápido. Giovanna soltou um suspiro aliviado.
— “Obrigada,” ela disse, baixinho.
— “Não agradeça. Só não gosto de gente folgada.” Ele tomou um gole de café. “Mas se ele encher o saco de novo, me avisa. Eu resolvo.”
Giovanna sorriu, timidamente.
— “Pode ser que eu precise dessa ajuda mais vezes.”
— “Anotado.”
Buscar a Susan: O Melhor Momento do Dia
O turno acabou, e Tom pegou o carro para buscar Susan na escola dela. Assim que ela o viu, correu e pulou em seus braços, esmagando-o num abraço que parecia tirar todo o cansaço do mundo.
— *”Tio Tom! Olha o que eu fiz!”*
Ela entregou um desenho—os três de mãos dadas, sorrindo, com Susan no meio.
Ele olhou para aquilo e, sem aviso, sentiu um nó na garganta. Ajoelhou no chão, segurando ela de novo.
— *”Isso… isso ficou lindo, Susan. Obrigado.”*
Ela riu, abraçando mais forte. “Você tá chorando?”
— “Não. É alergia. Vamos, me ajuda a fazer o jantar hoje?”
— “Claro! Eu vou picar o tomate!”
Jantar em Família
Em casa, Tom e Susan trabalhavam na cozinha—ela, cortando tomates (mal, mas com entusiasmo), ele, refogando o arroz. Quando Amélia chegou, trouxe uma caixa de restos de doces do café.
— “Olha só, trouxe bônus,” ela anunciou, cansada mas sorridente.
— “Doces! Eba!” Susan comemorou.
Durante o jantar, cada um contou como foi o dia. Tom não mencionou o novato metido—só falou que teve uma aula difícil. Amélia reclamou de um cliente enjoado. Susan contou sobre a amiga que brigou no recreio.
—
Boa Noite
Depois de escovar os dentes, Susan foi para a cama. Amélia e Tom se revezaram dando um beijo de boa noite em sua testa.
— “Durma bem, estrelinha,” Amélia disse.
— “Sonhe com coisas boas,” Tom completou.
Susan já cochilava quando eles fecharam a porta.
No corredor, Amélia olhou para ele.
— “Você tá mais pai a cada dia.”
Ele fez uma careta.
— “Não espalha. Vão cancelar minha licença de bravo.”
Ela riu, e os dois se separaram, cada um para seu quarto.
E, naquela noite, pela primeira vez em anos, Tom dormiu sem pesadelos.